terça-feira, 17 de março de 2026

ANNA ANGELINA DE AMORIM MACEDO

 


ANNA ANGELINA DE AMORIM MACEDO, natural de Assú, Estado do Rio Grande do Norte, nascida no dia 22 de janeiro de 1975, sendo filha do casal Coronel LUIZ GOMES DE AMORIM e  ANNA MARIA SOARES DE ARAÚJO AMORIM. Casou-se em 21 de julho de 1986, com  JOÃO FRANCISCO SOARES DE MACEDO.

 ANGELINA MACEDDO colaborou em alguns periódicos e no almanaque do Assú, vindo a falecer no dia 05 de julho de 1906, no lugar de seu nascimento, onde residia, cercada de estima da família e das amigas. Ela é patrona de uma das ruas do Bairro Candelária, Natal-RN

ANNA ANGELINA DE AMORIM MACEDO

 


ANNA ANGELINA DE AMORIM MACEDO, poetisa do Assú, ainda é pouco lembrada na terra em que nascera. De tradicional família originária da cidade do Porto, Portugal. De temperamento sentimental, casou-se em 1896 e, pouco tempo depois, fora abandonada pelo marido.

O antologista Ezequiel Fonseca Filho depõe que o lirismo de Angelina também está marcado pela melancolia, pela religiosidade e por acentuados elementos românticos e simbolistas". E vai mais adiante ao dizer que Angelina , "não encontrando a realização dos seus sonhos de adolescente", escreveu na sua desilusão o soneto que, penso eu, parece com a forma de poetar de Florbela Spanca (uma das maiores vozes da poesia lusitana do século XX). Senão vejamos:

 

Sonhei que era feliz e que era amada,

Que ao lado de meus pais tranquilamente,

Passava minha vida sorridente,

Sem nunca pela dor ser perturbada.

Nessa doce ilusão, sendo embalada,

Áureos castelos levantei na mente

E por linda visão aurifulgente,

Era ao céu de fantasia arrebatada.

Porém ao despertar do grato sonho,

Ao ver o meu presente tão tristonho,

Tão negro como fora o meu passado.

Quisera viver sempre adormecida,

Do mundo e de todos esquecida,

Ou ao menos, meu Deus, não ter sonhado!

Angelina fora acometida por uma doença incurável, solitária e sentindo a morte chegar escreveu o soneto intitulado 'Resignação', que diz assim:

Bendita seja a mão, que o golpe envia

Sobre a minha cabeça tão cansada;

Que me adverte ao fim desta jornada, e um dia

Na floresta da vida, erma e sombria.

Àqueles que disseram: Volto ao Nada,

A que triste, viveu somente um dia,

Eu direi: Enganai-vos! A alegria

Espera-me no Além, na Pátria amada.

Não criminem a morte, que me leva

Ao ver estrela que no azul cintila...

A luz, que vem do céu, não chamem treva!

Pouco a pouco, a matéria se aniquila,

Mas a alma imortal aos céus se eleva...

Que venha, pois, a morte - estou tranquila.

(Fonte: Poetas e Boêmios do Assu, 1984, de Ezequiel Fonseca Filho)

Postado por Fernando Caldas

 

FONTE – ASSÚ ANTIGO